Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

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São Paulo, SP, Brazil
O Blog do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae é um dos veículos de comunicação em que circulam informações, produção de conhecimento, experiências clínicas e de pesquisa de seus diferentes membros. A interlocução com o público, dentro e fora do Departamento, é uma maneira de disseminar a troca no campo da Psicanálise e possibilitar a ampliação do alcance das reflexões em pauta. Fazem parte da equipe do Blog: Ana Carolina Vasarhelyi de Paula Santos, Fernanda Borges e Gisela Haddad.

sábado, 17 de dezembro de 2016

A Clínica do Sedes Sapientiae existe há 68 anos. Saiba um pouco sobre este excelente trabalho de equipe no texto de Cláudia Monti

Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae
Uma parte de sua história


Na recepção a novos pacientes, em um grupo composto por pais e mães de 7 crianças, 5 trazem como motivo de sua vinda o fato de que seus filhos não estão correspondendo às expectativas da instituição escolar que freqüentam: seja em relação à aprendizagem formal, que não vem ocorrendo no momento e da forma esperados, seja em relação ao modo de estar no espaço escolar. Em geral, a fala que se repete é a de que “não param quietos, não se concentram, não atendem aos pedidos que lhes são feitos. Só querem brincar”. Muitas destas crianças, aos 6 ou 7 anos de idade, já chegam à Clínica com diagnósticos prévios fechados e medicadas.


O modo como escutamos e conduzimos esses primeiros encontros revela nosso compromisso ético-político: além da história singular de cada um, nos propomos pensar o sujeito criança inserido e afetado por seu contexto sócio cultural, incluindo na compreensão e manejo clínicos as relações entre as diversas instituições que compõem a trama da constituição subjetiva, ainda em curso no período da infância. Dessa forma, pais, família mais extensa, escola, cidade e cultura hegemônica que dita expectativas e modos de ser são incluídos em nossa escuta.


Já de início o dispositivo sustenta outro de nossos referenciais: a aposta na potência dos atendimentos grupais e seu manejo, que, transversalizando os saberes, contribui para implicar aquele que nos procura com um pedido de ajuda.


Apesar de concebida atualmente como sujeito de direitos, a criança tem espaço cada vez mais reduzido na atual trama sócio cultural. Como considerar o não saber de si, a incompletude constitutiva nesse contexto de exigência de resultados e de medicalização da infância e da vida? Essas são algumas das questões que nos fazemos ao elaborar um projeto terapêutico de atenção construído para cada paciente da Clínica.


O prosseguimento do trabalho já iniciado no Grupo de Recepção pode se dar nos Grupos Terapêuticos, nos Atendimentos Familiares ou Individuais conduzidos pelos Terapeutas Contratados; pelos Terapeutas Voluntários dos 11 Projetos que se articulam em torno de questões específicas ou pelos Aprimorandos provenientes dos vários cursos do Instituto e alocados em uma das 8 Equipes Clínicas*. Há também atendimentos realizados pelos chamados Voluntários, que já finalizaram o período de 2 anos de aprimoramento e permanecem na Clínica realizando atendimentos individuais e grupais e um Cadastro de Terapeutas que compõem a rede externa de atenção e que conhecem o modo de funcionamento da Clínica. Estes recebem pacientes que finalizaram o percurso na Clínica Institucional.


A discussão clínica e o acompanhamento dos atendimentos ocorre no diálogo entre prática e teoria, o que possibilita um conhecimento vivo, criativo, que reconhece e considera a assimetria e diversidade do percurso formativo de cada um. As Equipes Clínicas são também local de referência da história clínica e do percurso institucional de cada paciente atendido na Clínica.


Os princípios e diretrizes que nos servem de bússola, mas que se aprimoram e se modificam na constante avaliação de nosso fazer clínico que não separa gestão de atenção, estão descritos no Projeto Clínico- Ético-Político. Concretização das proposições gestadas em um vibrante movimento que ocorreu no Instituto Sedes nos anos 1990, quando a então Diretoria convocou os vários Cursos e Departamentos do Instituto a repensar a estrutura da Clínica. Movimento coletivo que, ao aliar as contribuições dos vários profissionais que trabalharam na Clínica às proposições dos diversos grupos de trabalho, resultou na elaboração de projetos que trouxeram significativas mudanças no modo de funcionamento desta e, após um período de funcionamento e avaliação, possibilitou a elaboração e implantação do projeto atual.


Mas a Clínica tem longa história - é a primeira Clínica Psicológica do Brasil e sua trajetória está intimamente ligada à implantação e regulamentação da Psicologia em nosso país. Fundada em 1948 por Madre Cristina, a Clínica e os cursos livres de especialização mantiveram-se ligados ao Instituto Sedes após a reestruturação governamental em torno de Faculdades e Universidades.


Fruto de muitos anos de construção de um fazer clínico politicamente implicado na busca da transformação não só do sujeito a ser atendido, mas da realidade social que o constitui, o fazer clínico na Clínica segue possibilitando movimentos contínuos de transformação que nos convidam a todos: pacientes, terapeutas, professores, supervisores, enfim, todos  aqueles que buscam e têm afinidade de pensamento com as práticas e princípios de nosso Departamento e deste Instituto.

*Para mais detalhes, acessar o link: http://sedes.org.br/site/clinica-psicologica/


Cláudia Justi Monti Schönberger - Dezembro / 2016
Psicóloga, Psicanalista, Membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, Coordenadora de Equipe Clínica e uma das Coordenadoras do Projeto de Atenção à Infância e Membro da Equipe Gestora 2014-2016 da Clínica do Instituto Sedes Sapientiae.



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